As Coisas Que Não Levam a Nada Têm Grande Importância.
Embora a matemática seja usada para construir quase tudo que conhecemos hoje, a abstração ainda é muito questionada.
Em Matéria de poesia, Manoel de Barros escreve:
Trata-se de um metapoema, pois fala de si mesmo enquanto poema, expondo o ato de criação e a escolha das palavras. Ele revela o valor do processo, daquilo que parece não ter finalidade imediata.
Isso dialoga com a matemática moderna: as ideias mais surpreendentes nascem da investigação de problemas “inúteis”, de curiosidades ou de construções que, sem aplicação prática aparente, fundam estruturas de enorme generalidade. Assim como na poesia, também na matemática as “coisas que não levam a nada” têm grande importância.
Esse diálogo, que parte de uma pergunta comum que os estudantes costumam fazer, arremata o porquê se faz matemática.
A matemática pura existe para tornar a espécie humana mais inteligente. Para criar ideias que resistem ao tempo e ao espaço (não à toa a matemática está aí há mais de dois milênios e é desenvolvida no mundo todo). Para nos ensinar a pensar de forma lógica, metódica, sistêmica.
Também existe a matemática aplicada, que garimpa a matemática pura e abstrata para encontrar finalidades cotidianas para tal. Mas não é para isso que os puristas a fazem — eles têm a matemática como um fim em si mesmo. A coexistência dessas duas áreas é o que dá vida a praticamente tudo que conhecemos.
Espero que esse texto dê mais luz a esse debate e te inspire a estudar matemática. Recomendo também a leitura de um outro texto meu relacionado a esse assunto: Por que matemáticos dizem que matemática é bonita?
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Victor Lins
Publicado nas Leituras do Acervo Lins, a casa editorial que faz livros para durar.

